
Irã diz que “fará os EUA se arrependerem” caso ataquem o país
Janeiro 28, 2008
O comandante geral da Guarda Revolucionária iraniana, Mohamad Ali Jaafari, advertiu que a corporação militar “fará os Estados Unidos se arrependerem” se atacarem o Irã e descartou uma invasão ou ação militar israelense, pois Israel “sabe que está ao alcance de nossos mísseis”.
Jaafari, em entrevista à televisão “Al Jazira”, transmitida sábado à noite, reiterou que os iranianos “responderão com toda força contra as tropas que atacarem” o país.
“Evitaremos que os povos e os territórios de nossos vizinhos muçulmanos sejam afetados”, assegurou.
Ele se referia desta forma aos ricos países árabes petroleiros do Golfo Pérsico, que acolhem em seu território ou águas jurisdicionais bases militares americanas e que manifestaram repetidamente sua preocupação com um eventual conflito bélico entre Irã e EUA pelo programa nuclear iraniano.
“O Irã se defenderá com toda a força que tem… nos últimos 30 anos (desde o triunfo da revolução islâmica, em 1979) desenvolvemos muitas armas e material militar e agora temos auto-suficiência”, disse o comandante geral da Guarda Revolucionária iraniana.
“Imagino que somos capazes de fazer os americanos se arrependerem”, destacou Jaafari, cuja corporação militar é a espinha dorsal do regime islâmico de Teerã, e é considerada pelos EUA uma organização terrorista.
O alto militar iraniano previu um “limitado ataque aéreo ou com mísseis” dos EUA contra as instalações nucleares do Irã, mas disse ser “impossível” uma invasão terrestre.
Além disso, considerou “um ponto de fraqueza, e não de força” a presença de tropas americanas em países vizinhos do Irã, como o Iraque ou Afeganistão, já que “estão ao alcance de nossa artilharia e nossos mísseis de médio alcance”.
Jaafari afirmou que o recente teste feito por Israel de um míssil de longo alcance “foi só uma mostra de músculos”, e insistiu: “achamos que a entidade sionista não vai cometer tal erro histórico e grave (ataque ao Irã), já que estão ao alcance de nossas armas”.
Ele se negou a dizer claramente o que o Irã fará em caso de um ataque contra a Síria, o único aliado árabe de Teerã.
Defendeu, enquanto isso, o apoio iraniano a grupos radicais como o libanês Hisbolá, a cujo chefe, Hassan Nasrallah, qualificou de um “símbolo da resistência”, e acusou Israel e EUA de “praticar o terrorismo de Estado”.
Jaafari rejeitou, ao mesmo tempo, as acusações de Washington contra Teerã, especialmente sobre a Guarda Revolucionária, de apoiar grupos insurgentes xiitas no Iraque, e acusou as tropas americanas nesse país de se “beneficiar da falta de segurança para justificar sua presença” em território iraquiano.
Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u367269.shtml




